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quinta-feira, 13 de junho de 2013

2407 - Os Tamoios tomam o poder 2


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O BISCOITO MOLHADO
Edição 4207                            Data:  12  de Junho  de 2013
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A TAMOIO NA ROQUETTE PINTO
PARTE II

Ainda sobre a pausa para meditação, Dieckmann afirmou que, como engenheiro, tudo se encaixava, ou seja, as explicações sobre a Teoria da Relatividade estavam bem postas.
-Foi bom. Uma contribuição tecnológica...
-E terminou na bomba atômica. - aparteou o José Maurício.
Foi nesse instante que o Dieckmann se referiu a piadinha (sic) do Sérgio Fortes com a bomba atômica.
-Quem tem medo da bomba atômica? - parodiou o dramaturgo norte-americano Edward Albee, que escreveu “Quem tem medo de Virgínia Woolf que, por sua vez, parodiou o desenho do Walt Disney. (*)
Inesperadamente, brotou na lembrança dos dois a  Mireille Mathieu.
-Eu a vi pela primeira no Festival Internacional da Canção, cantando no Maracanãzinho. A música?... Minha cabecinha não está com essa bola toda...
-Não seria “Fenêtre ouverte”?...- tentou o Dieckmann socorrer a sua memória.
Não, não era janela aberta nem fechada.
-Falam que era a sucessora de Edith Piaf, não sei... Mas eu gosto muito dela.
-Eu também, José Maurício, e no último programa nós ouvimos com ela La Dernière Valse.
-The Last Waltz.- traduziu o interlocutor do Dieckmann para o idioma da Barra da Tijuca.
Mas o mote do Rádio Memória desse domingo era a Rádio Tamoio dos tempos idos e ouvidos, por isso, José Maurício se reportou ao programa “Minha Música Por Favor”, que ia ao ar das 12 às 13h e retornava das 15 às 16h. O prefixo era a gravação de Petite com a orquestra de Perth Faith.
Mal soou a última nota, e se ouviu:
-Amigos ouvintes, vocês ouviram... - era o Dieckmann que, depois de treinar o seu francês, treinava a sua locução radiofônica.
-Esta é a Rádio Tamoio, peça a música e nós atendemos.
-Peça agora a música que você ouvirá amanhã neste horário.
Em seguida, José Maurício, demonstrando que a sua memória estava tinindo, citou os números dos telefones (para aqueles que tinham um, pois eles eram raros) fazerem seus pedidos.
-Ah, os telefones com seis números! Exclamou o Dieckmann com laivos de saudosismo.
Sim, era tudo mais fácil; com telefone de seis números, o personagem do Anselmo Duarte, do filme “Absolutamente Certo”, conseguiu decorar a lista telefônica.
Dieckmann lembrou (**), então, o “Disco Estrelinha”, que ficava entre um programa e outro.
-“Disco Estrelinha”, o disco que começava a brilhar. -acrescentou aquele que foi um dos locutores da extinta emissora.
A título de curiosidade, aqui vai um curto trecho de uma entrevista do cantor Ronnie Von:
“Um dia eu estava voltando do escritório, ouvindo o programa “Disco Estrelinha”, na rádio Tamoio e, de repente, ouço “disco estrelinha, o disco que começa a brilhar” e era eu cantando. Encostei o carro, pois não tinha condição para continuar dirigindo. Ouvi a música até o fim.
Agora, cabia ao Dieckmann tirar, por minutos, o foco da Rádio Tamoio e escolher uma música. E a empolgação quase o levou à tagarelice, mas justificável, como se verá.
-Eu vou pedir “Tiro ao Álvaro”, do Adoniran Barbosa. Eu adoro essa música. O nome real do Adoniran Barbosa era João Rubinato. Ele, que também foi humorista, apresentava um programa de rádio com diversos personagens, entre eles, o Adoniran Barbosa. Então, a criatura engoliu o criador.
Sou testemunha dessa fixação do Dieckmann pelo “Tiro ao Álvaro”. Há uns dez anos, num restaurante, creio que era o Bareboat, com colegas de trabalho, ele sacou um papel do bolso com a letra e a mostrou com um sorriso. Para espicaçar, critiquei o “álvaro” por ter tomado o lugar do alvo.
Na biografia que Ronaldo Costa Couto redigiu sobre o magnata Francesco Matarazzo, ele se refere ao talentoso compositor, humorista e ator, como um artista, filho de imigrantes de Treviso, que tentava repercutir, na sua criação, a fala dos italianos apaulistados.
O disco solicitado foi com a interpretação sapeca da Elis Regina e intervenções do compositor.
Depois dessa audição lúdica, José Maurício trouxe de novo a Rádio Memória para os trilhos da Tamoio.
-Programa que ia ao ar às 13 horas, uma da tarde, era “Pick-Up Sabido”.
Depois de o Peter colocar nas carrapetas (ou deslizantes) o prefixo desse programa, Humoresque Boogie, com a orquestra de Lawrence Welk, Dieckmann interveio para um esclarecimento à mocidade; não se tratava do veículo pick up e sim de um aparelho para tocar discos. Havia os toca-discos, as vitrolas e os ultra-avançados, na época, pick-ups, que foram utilizados pelos disk-jockeys nas danceterias dos anos 80.
José Maurício se entusiasmou, e se deteve mais nos pick-ups.
-Tinham agulhas que eram trocadas de vez em quando. Tudo era feito com muito cuidado para não sair da linha. Passava-se o dedo... Conferia-se linha por linha. O som da Rádio Tamoio chegava a Juiz de Fora e lá, o José Mauro, ficava atento.
Depois de uma intervenção do seu interlocutor, José Maurício elogiou aquele que deveria ser o chefe da emissora, e foi adiante.
-A gravação era feita em acetato, ali na Avenida Venezuela, no Estúdio Santa Anita. Lá iam o Humberto Reis, o Nélson Jabour para a gravação de determinados prefixos. O contra-regra conferia faixa por faixa.
E essas reminiscências cessaram quando o Peter, segundo ele, sinalizou que faltavam dez minutos.
Falou-se, então, das “Músicas na Passarela” o programa que eu, particularmente, mais ouvia, de carona, é verdade, porque o meu irmão Claudio não deixava de sintonizar a Rádio Tamoio às 16 horas. Minha fixação, que vai de 1963 até hoje, era a Rádio MEC, também minha escola,  que, diga-se de passagem, também conta com o Sérgio Fortes na sua programação.
A hora das “Músicas na Passarela” era quatro da tarde.
O que se ouvia agora no Rádio Memória era Day by Day na orquestra de Ray Anthony.
Passaram, em seguida, para “Distração Musical” com a música Un Amour Vient de Naître com Guy Luppaert, que tinha três horários por dia: 8, 18 e 23h.
Dieckmann, antes de adjetivar a gravação como arrebatadora, citou este periódico, “um jornal do submundo”, que implica com a insistência com que ele usa “arrebatador”.
Veio, então, “Encontro Musical às 10 Com o Mais Belo da Discoteca”.
Antes de José Maurício pedir o prefixo Fim de Noite, com o Coral de Ouro Preto, Dieckmann relacionou as cores que correspondiam a cada gravação.
“Eram nessa ordem – disse ele: rosa, verde, lilás, amarela, cinza, grená, marrom, hortênsia, branca, havana, turquesa, vermelha, violeta, pérola, bege, escarlate e ciclâmen.
Ao citar ciclâmen, José Maurício confessou que só agora, acessando o Google, descobriu que era uma cor com nuances de roxo.
Não havia a fúcsia, cor citada por Caetano Veloso na sua canção “Errática”: “... Se desenha entre as galáxias em fúcsia...”.
Soaram 9h da manhã. Falou-se, em final apoteótico, arrebatador também. E ficou a promessa que o próximo Rádio Memória será apresentado pelo Jonas Vieira e Sérgio Fortes.
Será?...

(*) O Distribuidor do seu O BISCOITO MOLHADO imagina que seja “... quem tem medo do Lobo Mau?”.
(**) “... nada disso. Quem lembrou, durante a gravação de uma música, do Disco Estrelinha foi o José Maurício. Eu só fiz a escada para ele abordar o assunto.” reportou o Dieckmann a este Distribuidor, com suas manias por transparência e exatidão.

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